Gerson França
Blog pessoal de Gerson Moraes França
segunda-feira, 15 de dezembro de 2025
O Espírito Santo em "Coisas Notáveis do Brasil", de Francisco Soares.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2025
Reflexões sobre o Estudo dos Povos Indígenas no Espírito Santo.
terça-feira, 9 de dezembro de 2025
Sobre o nome dos indígenas coroado
SOBRE O NOME DOS INDÍGENAS COROADO
Já há muito tempo que tenho uma "tese" para a origem do nome "coroado", que designa tanto grupamentos indígenas do tronco étnico e linguístico puri-coroado, quanto genericamente grupos de indígenas distintos em territórios diversos e tempos diferentes. Associava-se esse termo ao corte de cabelo, e essa tese é a mais difundida e encontrada em várias fontes.
Há um outro termo usado para designar os coroados: é o nome "croato" e suas diversas formas (coroato, coroata, croata, croá, etc). Há quem entenda que esses últimos termos derivaram de corruptelas do termo original "coroado". Mas eu entendo que foi o contrário: o termo "coroado" é que derivou de "croato". Embora seja verdade que as primeiras menções a esses indígenas os grafem como "coroados", depois que o contato se consolidou se firma o termo "croato" nas regiões onde primeiramente foram aldeados. Somente mais tarde é que o termo "coroado" retorna, já aí em nova conjuntura e designando genericamente também grupos indígenas de outras regiões.
Durante muito tempo acreditei que estava só nessa interpretação. Até que encontrei os relatos de Taunay, do final do século XIX, que teve contato com os coroados do Paraná (os caingang) e resolveu pesquisá-los e problematizar o epíteto. Ele, quase século e meio antes de mim, chegou a conclusão que o termo "coroado" é corruptela de "croá". Abaixo transcrevo o texto que traz essa interpretação:
"Desde principio, porém, me impressonára o appelido de coroados, pelo qual são esses índios quasi exclusivamente conhecidos em toda a província do Paraná.
Como e porque razão tivera esse nome de caracter meramente portuguez a força e valor de eliminar do conhecimento geral a denominação de etymologia indígena e especial, que essa grande tribu devia, sem constestação possível, possuir e conservar?
Bem sabia eu que provinha aquella especificação do modo porque esses primitivos filhos do Brasil costumam cortar o cabello, e nehuma relação immediata os prendia aos coroados de Matto Grosso.
Com effeito, ahi procede o nome idêntico de simples e facil corruptela, transformação da palavra croás, que designa, em sua língua os indios do sertão intermédio a Goyaz e Matto Grosso.
No Paraná, porém, apezar das minhas indagações, ninguém sabia de outro alcunha de feição autochtona, e fiquei muito admirado quando, na cidade de Guarapuava, onde cheguei a 7 de abril de 1886, pela primeira vez ouvir da boca de um índio mais ladino a palavra caingang, como denominação geral da tribu e, do interrogatório a que o submetti, deprehendi que tenham certo desgosto em ser chamados corôados.
Causou-se espécie esta novidade, e, insistindo então interessante ponto pude verificar, depois de me entender com outros homens e mulheres da partida que viera esperar-me,que esse sentimento de desprazer lhes era commum, ficando muito satisfeitos pelo vocábulo portuguez.
Communiquei esta observação ás pessoas que me rodeavam, e nas minhas conversações com os moradores mais antigos da localidade a ella de continuo alludi, mostrando-se ignorantes do verdadeiro nome da tribu, que mantém contudo, desde os primeiros annos deste século (1816), relações mais ou menos seguidas com aquelle centro de população.
Dahi me proveiu certa ufania – poder reintregrar na grande família tupy esse ramo dos coroados, dando lhes a legitima e verdadeira appellidação indígena (RIHGB, 1888, p. 255-256)"
Esse texto encontrei há uns cinco anos no trabalho de doutorado de Dantielli Assumpção Garcia. A citação acima está às páginas 234 e 235 do referido trabalho, cuja ficha segue abaixo:
Garcia, Dantielli Assumpção. A Revista do IHGB e o saber linguístico: um gesto de documentação / Dantielli Assumpção Garcia. - São José do Rio Preto: [s.n.], 2011. 300 f.; 30 cm.
Por hoje, é só. Talvez um dia eu fundamente mais detalhadamente de que modo eu cheguei à mesma conclusão de Taunay.
Gerson Moraes França
quarta-feira, 26 de novembro de 2025
26 de Novembro: 95 Anos da Emancipação de Mimoso do Sul
26 de Novembro: 95 Anos da Emancipação de Mimoso do Sul
Hoje, dia 26 de novembro, completam-se 95 anos do Decreto estadual que sacramentou a emancipação política de Mimoso do Sul. Neste dia, no ano de 1930, o recém empossado Interventor Federal no Espírito Santo, capitão João Punaro Bley, assinou o diploma que criou o município de João Pessoa (antigo nome da cidade de Mimoso entre 1930 e 1943) e, pari passu, extinguiu o de São Pedro de Itabapoana.
E, para memorar essa importante efeméride da história local, que mereceu até ser comemorada com um feriado municipal, trarei no presente artigo algumas informações ainda inéditas sobre a construção desse fato histórico. Fruto de uma pesquisa iniciada há trinta anos atrás, acredito que meu trabalho já se encontra maduro - e seguro - o suficiente para ser trazido à luz.
Primeiramente, precisamos dar rápidas pinceladas sobre os acontecimentos que precederam esse ato. Desde meados da década de 1920 que o então distrito de Mimoso, parte integrante do município de São Pedro do Itabapoana, pleiteava autonomia política. Mas não só isso: desejava, também, ser a sede da Comarca judiciária. O núcleo urbano do povoado de Mimoso havia crescido muito nos anos 1920 e já se tornara maior e mais dinâmico que a sede municipal em São Pedro. Estima-se que, em 1930, a população da urbe mimosense já era cerca de três vezes maior do que a são-pedrense (abre-se, aqui, um importante parênteses: estamos a falar da população do núcleo urbano - "cidade" -, e não da população total dos distritos, que englobava a população urbana e também a população rural - majoritária nessa quadra).
Em outubro de 1930 estourou uma revolução no Brasil, que foi vitoriosa. Depuseram o presidente da República e, depois, empossaram Getúlio Vargas na chefia do Governo Provisório (1930-34). Durante o processo revolucionário, houve luta - uma "pequena guerra civil" - que durou três semanas. Houve movimentações de tropas militares, batalhas, cercos e, infelizmente, muitos feridos e algumas dezenas de mortes. O sul do Espírito Santo foi invadido e tomado por tropas vindas de Minas Gerais.
Então, tracemos a conjuntura daquele momento em nossa região nos idos de outubro e novembro de 1930, para melhor compreensão do fato que estamos analisando. Primeiramente, o município de São Pedro do Itabapoana foi tomado pelas tropas mineiras, suas autoridades foram destituídas e, pelo comando revolucionário, foram nomeadas novas autoridades locais. A sede da Interventoria Civil e da Junta Governativa ficou provisoriamente no distrito de Mimoso. Com a vitória do movimento revolucionário, as autoridades locais decretaram a mudança da sede (e do nome) do município e da Comarca, de São Pedro para Mimoso (agora, rebatizada de "João Pessoa"). Alguns dias depois, e após consultar a maior autoridade revolucionária no sul do Estado à ocasião, essa determinação foi executada: é o "famoso" 02 de novembro, dia de finados, quando os "13 caminhões e força policial" chegaram em São Pedro e retiraram de lá todos os arquivos das repartições públicas, levando para Mimoso.
Tal ato local, porém, precisaria mais tarde da anuência e da formalização de diploma legal, mesmo que discricionário. Era da competência do governo do Estado sacramentar aquela decisão local. Assim, tão logo Punaro Bley tomou posse do cargo de Interventor federal, começaram as démarches dos diversos grupos políticos para manter, ou anular, a transferência da sede do município e da Comarca.
No dia 24 de novembro de 1930, uma comissão são-pedrense composta por políticos do antigo e do novo regime vai até a capital Vitória para solicitar uma audiência com o interventor Bley. Essa comissão foi composta por Jamil Mileipe (do diretório da Aliança Liberal em São Pedro), Grinalson Medina (vereador do antigo governo deposto) e Mario Caroli (representando o comércio local, e que não era político). No dia seguinte foram recebidos pelo interventor e puderam expor todos os seus argumentos e documentos, pleiteando a o retorno da autonomia do município de São Pedro do Itabapoana, mesmo que fracionado. Foi quando, após escutar os membros da comissão, Bley pronunciou a frase de que "estava admirado como aquilo não entrou ainda nos eixos". O interventor ficou com os papéis e informou que iria "estudar o caso para o andamento necessário".
Após a audiência da referida comissão são-pedrense, no mesmo dia ou no posterior, a Interventoria estadual possivelmente se comunicou com as autoridades revolucionárias em Mimoso, informando o ocorrido e solicitando esclarecimentos. Isso porque, no dia 26 de novembro, o interventor civil e um dos membros da Junta Governativa de João Pessoa (Mimoso) foram até Vitória para explicar as medidas que haviam executado. Antes de viajarem, entraram em contato com a mais alta autoridade militar revolucionária do Setor Leste mineiro, responsável pelas operações no sul do Espírito Santo, para que este telegrafasse ao capitão Bley e intercedesse por eles. E assim foi feito.
Às 16:40 horas da tarde chega ao Palácio em Vitória o telegrama do Coronel Barcellos, in verbis:
"P/ Cap Bley - Victoria
(...)
Segue ate ahi Dr Octavio Gonçalves Ferreira, prefeito Mimoso. Pessoa nossa inteira confiança que em meu nome fallará amigo sobre medidas por elle executadas. Minhas determinações anteriores e providencias deverao ser tomadas conciliatorias interesses sul estado. Rogo atendel-o atenciosamente.Sauds [saudações] - Tte Cel Barcellos"
O Interventor Bley recebeu as autoridades revolucionárias de Mimoso e, diante do pedido supra e dos esclarecimentos prestados, resolveu "jogar a pá de cal" na autonomia de São Pedro, como escreveria um anônimo articulista em um jornal dias depois. Os dois membros do governo de João Pessoa (Mimoso) se reuniram, então, com o Secretário do Interior para lavrar o decreto que legalizaria e sacramentaria a mudança da sede e comarca e criaria o novo município. O Decreto tomou o número 113, de 26 de novembro de 1930, cuja reprodução do original segue abaixo:
O decreto foi publicado no órgão oficial do Estado no dia 27 de novembro. Os dois membros do governo revolucionário de João Pessoa (Mimoso) ainda permaneceram em Vitória e se reuniram novamente com o interventor Bley, no dia 28 de novembro, para decidirem o nome do Prefeito que seria nomeado pela Interventoria para governar o novo município. Após os entendimentos, o ungido foi o terceiro membro da Junta Governativa municipal, que havia ficado em Mimoso enquanto seus companheiros estavam na capital: Pedro José Vieira. Mas, aí, já é uma outra história...
PARABÉNS, MIMOSO DO SUL, PELOS SEUS 95 ANOS DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA.
Gerson Moraes França
quarta-feira, 5 de novembro de 2025
Desabafo metodológico
Saudações a quem me lê.
Esse escrito é apenas um pequeno desabafo para mim mesmo. Algo que, embora pessoal, eu gostaria de deixar registrado. Pensei dias atrás em quantas coisas "escrevemos com a cabeça" e que nunca vêm a luz em um texto publicado. Não é falácia: escrevo, em meus pensamentos, vários textos e matérias por dia. Chego a escrever, às vezes, capítulo de livro em minha cabeça. É claro que, antes de vir ao papel (ou à tela), um texto precisa ser pensado; mas é o ato de o escrever e o publicar é que o torna algo real.
Outra coisa que eu preciso deixar registrado é a seriedade e a responsabilidade nos meus escritos, que aprendi em minhas aulas, com professores maravilhosos, nas duas universidade e faculdade de História que cursei (UFES e São Camilo) e que desenvolvi com o passar do tempo. Quando encontro algo inédito, ou quando chego a conclusões que considero interessantes para a historiografia, eu nunca publico de imediato; às vezes, levo alguns anos comparando fontes, buscando fontes novas ou matutando em cima do achado, até que me creio seguro para publicar sobre o assunto.
Assim, cada publicação que faço no presente BLOG ou em minhas redes sociais é fruto de um longo processo de pesquisa e maturação. É claro que estamos todos sujeitos a errar, mas faço tudo o que é necessário para que tal possibilidade seja ínfima.
É isso.
Gerson Moraes França
terça-feira, 14 de outubro de 2025
Silvestre Coelho dos Santos - De Escravo a Fazendeiro.
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| Silvestre Coelho dos Santos Imagem gerada por IA, com orientação do autor e usando como base as fotos de seus descendentes. |
SILVESTRE COELHO DOS SANTOS - DE ESCRAVO A FAZENDEIRO.
quarta-feira, 10 de setembro de 2025
Fontes sobre o Quilombo destruído em 1843 no Espírito Santo

Habitation de négres (Johann Moritz Rugendas, 1827)
Acervo Brasiliana Iconográfica
FONTES SOBRE O QUILOMBO DESTRUÍDO EM 1843 NO ESPÍRITO SANTO
Há pouco mais de dois anos e meio atrás recebi um documento, encaminhado pela Secretaria de Cultura do Município de Muqui, de autoria da CCRQ (Coordenadoria de Comunidades Remanescentes de Quilombos) e direcionado para a Fundação Cultural Palmares (Ministério da Cultura). Tal documento trata de uma solicitação de abertura de processo de identificação de comunidades remanescentes de quilombolas no rio Muqui, no município de Atílio Vivacqua (ES). À época, lendo o arrazoado que fundamenta o requerimento, fiquei um tanto reticente; parecia-me que havia ali um esforço em identificar um quilombo destruído em janeiro de 1843 por forças organizadas pelas autoridades, com comunidades rurais existentes atualmente no município supra aludido.
Iniciei uma pesquisa criteriosa, então, para entender se haveria alguma relação entre o quilombo desmantelado em 1843 e as comunidades atilienses dos tempos presentes. Pesquiso e estudo a história da região sul do Espírito Santo há muitos anos, e tal assunto muito me interessava; até porque eu o desconhecia e ele não se "encaixava" em meus estudos. E o resultado foi bem conclusivo. Certamente não há nenhum liame ou solução de continuidade do quilombo destruído em 1843 com os atuais moradores dessas regiões de Atílio Vivacqua. O que, é claro, não invalida qualquer iniciativa de se reconhecer como comunidades quilombolas as que estão pleiteando esse reconhecimento; as provas, porém, deverão ser outras, e a pesquisa precisará seguir por outro caminho.
Mais abaixo, transcrevo as fontes que encontrei sobre o acontecimento de janeiro de 1843. Lendo-as, vamos perceber alguns importantes pontos que trataremos doravante e, é claro, chegar a conclusão de que o referido quilombo estava situado em outro local que não o rio Muqui.
O primeiro ponto é que a autora Maria Stella de Novaes (citada no requerimento elaborado pelo CCRQ) interpretou de forma equivocada parte do documento que a serviu de fonte, bastando comparar o seu texto com o texto do ofício original, que foi compilado por Levy Rocha; idem, quando comparado com as outras fontes primárias contemporâneas que abaixo transcrevo. Não foram 70 quilombolas armados que resistiram à guerrilha, como Novaes interpretou: 70 eram os homens armados da guerrilha que atacou o quilombo.
Segundo ponto é que, mesmo que não tivéssemos conseguido localizar expressamente em uma das fontes pesquisadas onde existiu o quilombo destruído em 1843, não seria possível saber em que região do Itapemirim teria ocorrido; na verdade, não poderíamos sequer afirmar que o referido quilombo estivesse na região do Itapemirim. Há autores, por exemplo, que afirmam (também equivocadamente) que o quilombo de 18 casas destruído em 1843 ficava em Aracruz, como na obra "Negro e Resistência" de Assis & Saquetto (2017, pág. 26).
Acredito que o documento elaborado pela CCQR, datado de janeiro de 2002 e encaminhado para apreciação da Fundação Cultural Palmares, tenha sido o primeiro que aventou a hipótese de que o quilombo desbaratado em janeiro de 1843 teria existido na região de Itapemirim. Tal presunção do(s) autor(es), creio eu, teria advindo do fato de que o ofício que comunicou tal feito ter sido escrito por Joaquim Marcelino da Silva Lima, o futuro Barão de Itapemirim, que era residente nessa região.
O problema de tal hipótese, porém, é que não seria possível comprová-la. E, ao contrário, seria mais verossímil que o quilombo objeto de nosso estudo ficasse em alguma região mais próxima da atual "grande Vitória", do que em Itapemirim ou Aracruz; isso porque Joaquim Marcelino estava exercendo interinamente a presidência da Província e estava na capital Vitória quando escreveu o ofício que comunicou o feito ao Ministro do Império. A diligência da guerrilha, segundo o ofício, teve início no dia 12 de janeiro de 1843; e no dia 17 do mesmo mês a força estava na capital, quando deu a notícia do que havia obrado - a destruição do quilombo, com mortes e prisões - ao presidente interino.
Enfim, é certo que o aqui estudado "quilombo de 18 casas" não ficava em Itapemirim, e nem em Aracruz; e, mesmo caso estivesse localizado na região de Itapemirim, não seria possível afirmar com as fontes existentes se estaria ao norte ou ao sul do rio, mais para dentro do sertão ou próximo da costa. Assim, de forma alguma, nunca poderíamos afirmar que esse destroçado quilombo ficasse em terreno hoje pertencente ao município de Atílio Vivacqua, e nem que exista algum liame que o identifique como sendo o embrião das comunidades que pleiteiam o reconhecimento junto à Fundação Cultural Palmares.
Onde ficava o quilombo, então? Na última fonte que transcrevo mais abaixo (FONTE 7), está a resposta. Em tal fonte há os esclarecimentos que buscávamos, e alguns detalhes interessantes como o nome da pessoa que comandou a guerrilha que atacou e destruiu o quilombo. Este último estava localizado nas cabeceiras do rio Jucú, na região conhecida como Bahia Nova, antigamente parte do distrito de Viana e hoje parte do município de Guarapari.
"Baía Nova - Povoação antiga do município. Era a princípio um quilombo que foi batido e conquistado, com 70 homens, em janeiro de 1843, por André de Siqueira Matos, residente na então povoação de Viana. Hoje é um importante núcleo de população habitado por colonos de origem italiana que se dedicam às culturas do café, de cereais e de frutas em grande escala. Foi usurpada ao município e anexada ao de Guarapari em 1943, estando o assunto dependendo da realização de um plebiscito eleitoral. Possui uma escola primária e uma belíssima capela católica, dedicada a Cristo-Rei.
Nas suas vizinhanças, do lado norte, já à margem do Jacarandá, está situada a povoação de Santa Rita, também habitada por colonos italianos, na sua maior parte, que se ocupam das culturas do café e cereais. Possui também uma escola pública."
Abaixo seguem as fontes que compilei e transcrevi:
Autora: Maria Stella de Novaes
Pág. 191:
“(...) 1843 - Aumentava o número de quilombos. A 17 de janeiro de 1843, êsse Vice-Presidente, em exercício, comunicava ao Ministro Araújo Lima ter batido e destroçado um quilombo de dezoito casas, constituído de setenta prêtos bem municiados. A luta foi dura. Alguns negros foram mortos, no campo da peleja; outros, presos, enquanto dois paisanos e um soldado ficaram feridos, sem gravidade.”
Crônicas de Cachoeiro, 1966
“Os Barões de Itapemirim
Distinguiu-se na repressão aos índios que hostilizavam as fazendas e povoados e deu conta de sua atividade como "Capitão-do-Mato" quando, em 1843, ocupando interinamente a Presidência do Província, informou ao Ministro do Império: "... Possuído do maior prazer, vou participar a V. Exa. para que chegue a conhecimento de S. M. o Imperador, que hoje mesmo veio de bater e destroçar quilombos uma guerrilha que, em conseqüência das ordens existentes, a despeito de dificuldades, consegui aprontar e fiz marchar em tão interessante diligência no dia 12 do corrente mês, a qual arrasou completamente um quilombo de 18 casas, deixando mortos alguns negros, que resistiram, e conduzindo todos que puderam prender. Tenho notícia de que existem mais quilombos, que pretendo tenham a mesma sorte, e para isso não me pouparei aos maiores sacrifícios empregando todos os meios que existirem ao meu alcance por quanto é esse o mais considerável benefício que se pode fazer a esta Província".
FONTE 3
“39 - O presidente Joaquim Marcelino, a dezessete de janeiro de 1843, comunicava ao ministro Araújo Viana ter sido batido e destroçado um quilombo de dezoito casas. Aprisionaram os que puderam e deixaram alguns negros mortos no campo da luta. “Na resistência que fizeram”, foram feridos dois paisanos e um soldado, porém sem grande gravidade (Pres ES, VII).”
FONTE 4
Falla com que o exm. presidente da provincia do Espirito Santo, Wenceslau de Oliveira Bello, abriu a Assembléa Legislativa Provincial no dia 25 de maio de 1843.
Pág. 03:
“Tranquilidade Publica, Segurança Individual, e Força Publica.
(...) Um quilombo de negros e facinorosos foi há pouco batido e destroçado, por sabias medidas tomadas por um dos meus benemeritos Predecessores, e continuarão a sel-o os que demais aparecerem: (...)”
FONTE 5
Falla dirigida á Assembléa Legislativa da provincia do Espirito Santo na abertura da sessão ordinaria do anno de 1846 pelo exm. vice-presidente da mesma provincia, Joaquim Marcellino da Silva Lima.
Pág. 07:
“Força Publica
(...) entretanto que o interesse particular dos Senhores dos escravos, a das Praças da Guerrilha contribue tambem efficazmente para que ellas sejão coroadas de feliz sucesso, como ha bem pouco tempo se observou, sendo arrazado um antigo quilombo, e presos quasi todos os escravos que o occupavão.”
FONTE 6
Relatório apresentado à Assembleia Geral Legislativa na segunda sessão ordinária da quinta legislatura, em 1843, pelo Ministro e Secretário de Estado Interino dos Negócios Estrangeiros Honório Hermeto Carneiro Leão, em 15 de maio de 1843.
Pág.
“Na província do Espírito Santo (...) a destruição de um quilombo composto de 18 casas habitadas por uma quadrilha tão numerosa, que animou-se a resistir a uma guerrilha de 70 homens bem armados e municiados que o presidente da província para ali mandára a destruir esse quilombo, o que conseguiu sem perda de um só homem, e com o ferimento leve de uns dous, ficando porêm mortos alguns dos escravos fugidos. Outros quilombos porém restavam, que o presidente se propunha a mandar destruir.”




