domingo, 6 de junho de 2010

Satyro Ribeiro França - Biografia

Satyro Ribeiro França. Ou, mais comumente, Satyro França; como é hoje cognominada a rua onde estão situadas, atualmente, a Prefeitura e a Câmara Municipal de Muqui, cidade que fica no sul do Estado do Espírito Santo.

Ele é meu trisavô; sou um dos tantos, no meu caso da quarta geração, dos descendentes deste que foi um dos primeiros povoadores da região de Cachoeiro de Itapemirim, especificamente das terras hoje sitas no atual Distrito de Camará, antigamente São Gabriel, Município de Muqui.

Por um erro de grafia, algumas publicações (Telelistas, e inclusive a própria Prefeitura em alguns Editais) grafam o nome como "Satiro França", o que faz com que muita gente atualmente chame a rua de "Sátiro França"; mas a pronúncia correta é "SatYro", com sílaba tônica no "ty". Pode parecer bobeira, mas entendi por bem deixar isso aqui esclarecido.


BIOGRAFIA

NASCIMENTO E MUDANÇA

Satyro Ribeiro França nasceu em Paty do Alferes, então Freguesia (espécie de Distrito) do Munícipio de Vassouras, no Estado do Rio de Janeiro, no dia 12 de janeiro de 1858 (dia de São Satyro). Veio a luz na sede da Fazenda São Luís da Boa Vista, cuja casa-grande fora contruída pelo seu avô Luiz de França em 1840. Com a morte do avô e a abertura do inventário, em 1850, a grande fazenda de café é dividida anos mais tarde entre os herdeiros, cabendo a sede à Luiz de Moraes França.

Desde 1854 sua família havia adquirido terras no Rio Muquy, então mata virgem, na esteira de vários proprietários de Paty do Alferes que foram desbravar esta região sita no sul da então Província do Espírito Santo. Como no Vale do Paraíba, as fazendas eram cafeeiras. Satyro, ainda criança, só muda-se definitivamente para Muqui aos sete anos de idade, em 1865, quando as fazendas já estavam definitivamente formadas e suas edificações construídas.

A família Gomes Leal, muito ligada ao que é considerado o primeiro desbravador de Muqui, José Pinheiro de Souza Werneck, e ligada por laços de casamento com a família França, desbravou boa parte da região que atualmente pertence ao Distrito de Camará, chamado então de São Gabriel do Muqui. A viúva de Manoel Gomes Leal, Maria Victoria da Conceição Leal, também natural de Paty do Alferes, juntamente com seus filhos, filhas, genros e noras, dentre esses os França, fundaram várias fazendas: São Gabriel, São Luiz, Sant'Ana, Santa Rosa.


FAMÍLIA NA POLÍTICA

Abastados fazendeiros em Paty do Alferes, os Gomes Leal e os França envolviam-se fatalmente com a política em Vassouras. E não foi diferente em Muqui.

Até 1864, todas as terras recém colonizadas do médio vale do Itapemirim, incluindo aí o vale do Muqui, faziam parte da Freguesia e Município de Nossa Senhora do Amparo do Itapemirim, que hoje é a cidade litorânea de Itapemirim. Naquele ano, foi criada a Freguesia de São Pedro do Cachoeiro de Itapemirim, e em 1867 a Freguesia foi elevada à categoria de Município, com sede em Cachoeiro. As fazendas de Muqui passaram à fazer parte dessa nova Freguesia e Município.

O tio do menino Satyro, Antônio Gomes Leal, tornou-se "chefe político" da família, e foi por duas vezes Vereador na Câmara Municipal de Cachoeiro, nas legislaturas de 1871-1876 e de 1877-1882. Em 1880(?), Satyro França, já com 22 anos, casa-se com a filha de Manoel Gomes Leal, sua prima Emygdia França Leal. Seu pai havia falecido, quando seu sogro morre, em 1884. Satyro França "herda", então, e com o tempo, a "chefia política" da família. Torna-se um dos maiores proprietários da recém criada Freguesia de São João do Muqui, reunindo as fazendas que ele e sua esposa Emygdia herdaram (Sant'Ana, São Gabriel e São Luiz).


NA GUARDA NACIONAL

A Guarda Nacional foi uma força de segunda linha, auxiliar e paramilitar, criada em 1831 no período Regencial, para salvaguardar a Constituição de 1824 e a ordem pública interna. Com sua criação, foram extintos os antigos Corpos de Milícias, as Ordenanças e as Guardas Municipais. O termo "coronelismo", cunhado para designar o ápice do poder das lideranças locais durante a República Velha, advém das patentes da Guarda Nacional passadas aos potentados locais, cujo posto máximo era o de Coronel. Seus oficiais, sempre homens de posses, deveriam manter prontas suas "tropas", que basicamente eram formadas por seus agregados e parentes, sem nenhuma remuneração. Somente em caso de mobilização ou missão qualquer é que o Governo reembolsava os custos e gastos efetuados.

"A Guarda Nacional tinha forte base municipal e altíssimo grau de politização. A sua organização se baseava nas elites políticas locais, pois eram elas que formavam ou dirigiam o Corpo de Guardas". A Guarda Nacional era subordinada ao Ministério da Justiça, tanto no Império, quanto na República. Em 1918 ela foi transferida ao Ministério da Guerra, sendo desmobilizada em 1922.

Satyro Ribeiro França foi nomeado oficial da Guarda Nacional em Decreto de 30 de setembro de 1892, quando foi designado Alferes da 3ª Companhia do 16º Batalhão de Infantaria, no Quarteirão de São João de Muqui. Em 1908 já era Capitão, e em 21 de outubro de 1914 tornava-se Coronel. Um de seus netos me relatou que, quando pequeno, na década de vinte, não podia entrar em um paiol que havia na Fazenda Chave do Satyro; mas, curiosas que são as crianças, acabou por entrar e entender o motivo da proibição - o Coronel Satyro França ali mantinha as antigas armas que serviam à sua "tropa" da Guarda Nacional.

Seus filhos também foram agraciados com postos no oficialato da Guarda Nacional. Quando foi elevado ao posto de Coronel, Satyro tinha três de seus rebentos na força: José Mattos e Abdenago, elevados na mesma ocasião à Capitães; e Zamith, designado Alferes. Mesmo após a dissolução da Guarda Nacional, em 1922, Satyro e seus filhos mantiveram as patentes em caráter honorário. Seu filho José Mattos, inclusive, após a sua morte, "herdou" essa "patente honorária" e passou à ser chamado de Coronel José Mattos França - como era usual na época do "coronelismo".


GALGANDO POSIÇÕES

Conforme dito acima, Satyro França era, no início da República, o "chefe político" das família Gomes Leal e França na região de São Gabriel do Muqui, então pertencente ao Município de Cachoeiro do Itapemirim. Seus rivais na política local eram da família Rosa Machado. Até 1908, e de acordo com as circunstâncias políticas estaduais, essas duas famílias se sucederiam, de tempos em tempos, na liderança política na região.

Com o rompimento havido entre Henrique Coutinho e Muniz Freire, Jerônimo Monteiro foi alçado à Presidência do Estado, indicado em 1907 pelo primeiro, sendo eleito em 1908. Em Cachoeiro e em Muqui, os reflexos dessa querela política, com suas consequentes reacomodações, também foram sentidos. É nessa ocasião que Satyro França torna-se o "chefe político" do distrito, sendo eleito Juiz Distrital de São Gabriel do Muqui em 02 de fevereiro de 1908, e empossado em 23 de maio do mesmo ano. Passa, então, a controlar as mesas eleitorais locais, que eram importante meio de manter sob controle as eleições no distrito.

Em 1912 é criado o Município de São João do Muqui, desmembrado de Cachoeiro do Itapemirim. Em novas reacomodações pós governo Jerônimo Monteiro, e para evitar ter que se escolher uma das lideranças locais, Marcondes Souza e Geraldo Vianna resolvem não privilegiar nenhuma das partes, e Satyro França não tem seu nome contemplado na chapa para vereadores das primeiras eleições muquienses. Consegue, porém, emplacar o nome de seu filho, Abdenago França, no cargo de 3º Juiz Distrital.


ESTRADA DE FERRO

Episódio interessante a ser citado é a construção da linha da estrada de ferro que ligava Santo Eduardo, no norte do Rio de Janeiro, à Cachoeiro do Itapemirim. Em 1902 foi inaugurada a estação no Arraial dos Lagartos (atualmente a cidade de Muqui), que passou à ser chamado então de Muqui, nome dado à referida estação. Nessa época, a contrução da via férrea já estava a cargo da Leopoldina Railway. No prolongamento da estrada, que em demanda à Cachoeiro passaria pelas terras de Satyro França, foi celebrado um contrato entre este e a Cia. Leopoldina.

E o fato pitoresco é que Satyro, ao assinar o contrato, e em virtude das plantas aprovadas que exigiam a "limpeza" das áreas contíguas à estrada de ferro, fez uma exigência, que foi aceita e cumprida pela empresa: não aceitava ele o corte de uma grande árvore que ficava defronte à sede de sua fazenda São Gabriel. Por esse motivo, a linha foi, naquele ponto, deslocada ligeiramente uns poucos metros, de modo à permitir a "sobrevivência" da árvore, sob o compromisso que seria "vistoriada permanentemente" pelo proprietário da fazenda; isso porque a mesma ainda estava dentro da "área de segurança" da linha.

Em 23 de julho de 1903 o trecho que ligava Muqui à São Felipe (Atualmente Atílio Vivacqua, ex-Marapé), e que passava pelas terras de Satyro França, já estava concluído. No contrato também estava prevista a construção de uma "parada", ou "chave", para que as locomotivas pudessem "fazer aguada". A partir de então sua propriedade passou a ser chamada de "Chave do Satyro", e o mesmo transformou a simples parada numa verdadeira Estação, com plataforma para embarque e desembarque, casa para negócio e armazém para café e cargas.


POLÍTICA - QUERELAS E SEDIMENTAÇÃO

A "acomodação" levada a efeito em Muqui, por ocasião das eleições municipais de 15 de novembro de 1912, deixou Satyro França insatisfeito. Sentindo-se desprestigiado, e mesmo injustiçado, Satyro vê-se envolvido nas "lutas políticas" e querelas pela liderança de sua região. Achava ele que, por sua atuação local nas eleições que deram a vitória à Jerônimo Monteiro e à chapa monteirista para Vereadores em Cachoeiro em 1908, bem como à Marcondes Souza em 1912, merecia o devido reconhecimento e uma posição mais destacada nas composições quando da criação do Município de Muqui; e da querela à intriga, o passo é curto.

Tais "incômodos e desassossego de espírito", como ele próprio diria em 29 de janeiro de 1913, faz com que Satyro abandone as lides políticas; chega a anunciar a intenção de vender sua grande fazenda, pois sua vontade era apenas "o desejo de tranquilidade, simplesmente". Em agosto de 1913, numa reunião com o Marcondes de Souza e Geraldo Vianna, os desentendimentos são acertados. Marcondes compromete-se a criar um Distrito em São Gabriel do Muqui, e entregá-lo ao controle e liderança de Satyro, bem como contemplar um vaga na Câmara de Vereadores para um representante de sua família. E tal acordo é cumprido, na íntegra.


E SE TORNA UM CORONEL

Conforme dito mais acima, em 21 de outubro de 1914 Satyro Ribeiro França era nomeado Coronel da Guarda Nacional, coroando a sedimentação de sua liderança como "chefe político" da região de São Gabriel. Oficial da referida força desde 1892, agora era, "oficialmente", um Coronel.

Honrando o compromisso firmado, durante o governo de Marcondes Souza é criado o Distrito de São Gabriel do Muqui, 2º Distrito e parte integrante do Município, juntamente com o distrito sede. Foi criado pela Lei estadual n.º 986, de 24 de dezembro de 1914. Em 15 de agosto de 1915 são realizadas as primeiras eleições distritais, sendo José Mattos, filho de Satyro, eleito para o cargo de 1º Juiz Distrital. A posse dos Juizes Distritais e a instalação do Distrito foi executada em 18 de setembro de 1915, em cerimônia solene realizada na casa de José Mattos, contando com a presença das autoridades municipais.

Nesse ínterim, foi fundado o Cartório de Registro Civil, e foi construída a primeira Capela da Paróquia, cujo padroeiro não poderia deixar de ser o anjo São Gabriel. Em dezembro, o Coronel Satyro França foi nomeado Delegado do Distrito. Em 23 de março de 1916 são realizadas as eleições municipais: Satyro França é eleito Vereador à Câmara Municipal de Muqui, e seu filho Abdenago é eleito 1º Juiz Distrital de São Gabriel. Ambos tomaram posse em 23 de maio do mesmo ano.


ARMAS AZEITADAS

Em 1916 as eleições no Espírito Santo foram bem tensas. Dois grupos políticos digladiavam-se pelo controle da política estadual. Os Monteiro, cujo candidato era o irmão de Jerônimo, Bernardino, ambos ligados à Marcondes, tiveram que enfrentar uma dura eleição contra Pinheiro Junior, este apoiado pelo Governo Federal e por praticamente toda a representação federal do Estado. Cada grupo dizia ter vencido as eleições, e em várias seções eleitorais houve duplicata de atas. Após a tensão, o tumulto; e após o tumulto, a guerra civil. Batalhas em Alegre, em Cachoeiro, em Vitória, em Afonso Cláudio. O Estado está dividido em dois governos; Pinheiro Junior, que não conseguiu tomar de assalto o Palácio do Governo, transfere a "sua" capital para Colatina, enquanto Bernardino controla Vitória após dura resistência. Há constante ameaça de Intervenção Federal.

Em Muqui, os pinheiristas tem vários partidários. Na fazenda Santa Rita, recém adquirida pelo mineiro João Lobato Galvão, há concentração de um pequeno grupo armado, chamados pelos monteiristas de "capangas do Lobato". A situação em Muqui é tensa, durante a após as eleições de 23 de março. Delegado de São Gabriel, o Coronel Satyro França reúne sua tropa para manter a ordem no distrito. Os pinheiristas chamam-nos de "jagunços do Satyro". Após os ataques pinheiristas de abril à Alegre e à Cachoeiro, todos ficam em "prontidão"; mas com o recuo dos partidários de Pinheiro Junior nessas cidades, após ter o Governo do Estado mandado uma numerosa tropa da Força Pública, a situação vai se acalmando. Os "capangas do Lobato" são desmobilizados, enquanto os "jagunços do Satyro" continuam garantindo a ordem em São Gabriel do Muqui. No início de julho, com a situação tranquilizada, tudo volta ao "normal".

Essa foi a última vez que a tropa da Guarda Nacional comandada pelo Coronel Satyro França foi mobilizada, e também a última vez que as armas do paiol foram azeitadas e municiadas. Quando seu neto, alguns anos mais tarde, entrou no "paiol proibido", as armas deveriam estar guardadas tal como foram após a desmobilização dos "jagunços do Satyro" naquele ano de 1916.


DÉCADA DE VINTE

Nas eleições de 1920 novamente houve racha na política estatual. Dessa vez, porém, no seio do próprio "monteirismo": os irmãos Jerônimo e Bernardino entram em séria divergência, o que leva à novos combates, mas dessa vez circuscritos principalmente à capital do Estado. Em Muqui, a chapa para vereadores havia sido formada antes do rompimento, e Satyro emplacou o nome de seu filho José Mattos como Vereador à Câmara Municipal. Outro filho seu, Zamith, foi eleito Juiz do 2º Distrito (São Gabriel), mantendo o controle do mesmo.

Com as acomodações advindas na nova ordem "bernardinista", após a vitória da corrente de Bernardino sobre a de Jerônimo em nível estadual, José Mattos renuncia à vereança; Satyro então indica o nome de seu filho Abdenago para ocupar a vaga que era "de sua família". Em julho de 1923, com a elevação de Muqui à categoria de Cidade (até então, detinha a categoria de Vila), as vagas na Câmara aumentam de cinco para sete Vereadores; e Satyro França é eleito para ocupar uma das duas novas cadeiras na Câmara. As correntes políticas do Município não aceitariam a indicação de outro de seus filhos, de modo que Satyro França, que já estava "passando o bastão" para sua prole, teve de voltar à ocupar um cargo público.

Em 1924, novas eleições municipais. Satyro França é reeleito Vereador, e seu filho José Mattos é eleito Juiz do 2º Distrito (São Gabriel). A família França, chefiada pelo Coronel Satyro, continua controlando a situação em sua região, e mantendo sua vaga na Câmara e o controle do Distrito e das mesas eleitorais de São Gabriel do Muqui.


NA OPOSIÇÃO LOCAL

Em 1927 acontecem algumas reviravoltas na política estadual, impostas por circustâncias em nível federal. A reacomodação das forças políticas que dirigiam o Estado, como sempre, refletiam nos seus Municípios, e isso não era diferente em Muqui. E em São Gabriel do Muqui, o Coronel Satyro vê-se alienado do processo político eleitoral. Os antigos acordos são rompidos, e Satyro França é excluído na formação da chapa para Vereadores na eleição de 15 de novembro de 1927.

Em 1928 adere, então, à oposição que estava se formando em torno do nome de João Vieira da Fraga, em rivalidade com a corrente situacionista local chefiada por Gerando Vianna. São realizadas eleições para o cargo de Prefeito Municipal em 02 de dezembro de 1928; há duplicidade de atas, e denúncias de fraude por ambas as partes. As duas correntes proclamam-se vencedoras do pleito. Após uma série de decisões e recursos, e com a Prefeitura ocupada pelos partidários de Geraldo Vianna e Argemiro de Macedo, o Presidente do Estado manda empossar o candidato João Vieira Fraga como Prefeito Municipal; este tomou posse no dia 03 de janeiro de 1929.

João Vieira da Fraga, porém, estava em minoria na Câmara. Seus partidários, então, usando a legislação eleitoral, conseguem cassar ainda em 1929 o mandato de um Vereador alinhado com seus opositores, e passam à deter a maioria. Após tal fato, os outros Vereadores alinhados à Geraldo Vianna abandonam seus mandatos em 1930. Nessa ocasião, Satyro França volta à Câmara, eleito Vereador para preenchimento de uma das vagas abertas. Seu novo mandato, porém, não duraria muito: com o estouro e vitória da Revolução de Outubro de 1930, as Câmaras Municipais foram todas dissolvidas.

DÉCADA DE TRINTA

Com a vitória da Revolução de 1930, o controle político de Muqui retorna às mãos de Geraldo Vianna, que indica o nome de seu filho, Alcides Vianna, para ocupar o cargo de Prefeito, nomeado pelo comando revolucionário no Estado. Mas as rivalidades entre Geraldo e o recém empossado Interventor estadual João Punaro Bley logo refletem-se em Muqui. Em abril de 1931, definitivamente rompidos, Bley exonera Alcides do cargo de Prefeito, nomeando uma pessoa de fora para governar a "politizada e complicada" Muqui.

Nesse período pós-revolucionário, o Coronel Satyro manteve-se um tanto equidistante das lides políticas. Durante as lutas em outubro de 1930, permaneceu "neutro", sem tomar maiores ações em prol de nenhuma das partes, mantendo posição de neutralidade. Seu filho Abdenago, inclusive, era membro da Aliança Liberal em Mimoso, para onde havia mudado sua residência em 1924; seu neto Jadyr, estudante em Vitória na época, era simpático à causa revolucionária e tenentista. Há relato até de que um dos "tenentes" havia estado na Chave do Satyro pouco tempo antes de estourar a revolução, sondando Satyro e avaliando as condições políticas locais.

Essa "reaproximação oficiosa" com os Vianna e a "neutralidade" mantida por Satyro em 1930 foi "recompensada" em homenagem feita por Alcides Vianna, que em 1931 abriu a rua que foi batizada com seu nome, via onde atualmente estão sediadas a Prefeitura e a Câmara Municipal de Muqui. Alguns mais extremados passaram a chamar o Coronel Satyro de "adesista de última hora", enquanto eles próprios eram cognominados pela imprensa local, ligada à Vianna, de "carcomidos".


MORTE

No dia 25 de julho de 1932, com 74 anos de idade, faleceu o Coronel Satyro Ribeiro França, em sua casa na Chave do Satyro. Seu velório e enterro foram muito concorridos pelas pessoas das circumvizinhanças, estando presentes várias importantes personalidades da região. Os jornais do Estado prestaram as últimas homenagens, classificando-o como "abastado fazendeiro e chefe de família exemplar". Foi sepultado no dia seguinte, no cemitério de São Gabriel do Muqui, tendo discursado o amigo José Olympio de Abreu quando "baixava-se o corpo à sepultura, enaltecendo as qualidades do finado".


PROLE

Ao falecer, Satyro deixou viúva sua mulher Dona Emygdia França Leal, e sete filhos: Anthero, Eloya (casada com Alexandre Martins), José Mattos, Abdenago, Maria Marinha (casada com Zildo Nery), Ermida (solteira) e Zamith. Anthero e José Mattos eram casados com senhoras da família Caiado, de São Felipe (Marapé, hoje Atílio Vivacqua), dando origem à família Caiado França, que foi tradicional em Cachoeiro do Itapemirim. Abdenago era casado com uma senhora de São Pedro do Itabapoana, descendente da família cearense Cavalcati que havia migrado para a região. Ermida se casaria depois com um Duarte, e Zamith com uma Carvalho, ambas as famílias de Muqui.

Alguns de seus descendentes são até hoje lembrados pelas atividades que exerceram. José Mattos passou a chefiar politicamente a família, tendo sido dirigente do PSD em Muqui, sendo também um importante representante classista da lavoura na década de trinta e quarenta. Zamith também foi do PSD, foi Vereador em Muqui e esteve, interinamente, exercedo a Prefeitura local na década de trinta e quarenta. Seu neto Cely Carvalho França foi um conhecido médico em Muqui e Mimoso, e outro neto Jadyr França Martins um politizado advogado que fez parte da UDN nas décadas de quarenta e cinquenta, tendo sido Procurador Geral do Município de Vitória na década de sessenta e setenta. Jadyr foi irmão de Jurandy, professora que hoje dá o nome ao Jardim de Infância da cidade.


DESCENDENTES

Seguindo a linha de descendência, meu bisavô Abdenago França (chamado em Muqui de "Seu Bené França") voltou para Muqui em 1933, após ser aliancista em Mimoso e ter exercido, por lá, o cargo de membro do Conselho Consultivo nomeado em 1931 - as Câmaras estavam dissolvidas. Era casado com Gervizina Cavalcanti, natural de São Pedro do Itabapoana, e tiveram oito filhos, dentre eles meu avô Gerson, que fez o ginasial em Muqui em 1933. Em sequência decrescente de idade, seguem todos os filhos do casal: Ary, Cecy, Orly, Gerson, Ilza, João Baptista, Jésus e Maria Amélia.

Meu avô Gerson entrou no Banco de Crédito Rural na década de quarenta, e foi viver em Vitória, capital do Estado. Casou-se com minha avó Mariana David, filha de Carlos Paes David, que foi Vereador em Muqui nas décadas de quarenta e cinquenta. Meu avô Gerson faleceu em 1974, e em sua homenagem meu pai me deu seu nome quando nasci, em 1975; assim, não conheci o meu avô, mas com minha avó Mariana eu tive muito contato - ela faleceu em 2006. Gerson e Mariana tiveram dois filhos: Cora, hoje casada com Juracy Bassini, e Maerson, meu pai, que nasceu em Vitória no ano de 1949.

Meu pai estudou em Vitória e tornou-se engenheiro em 1973; casou-se em 1974 com minha mãe, Selma Moraes, natural de Muqui. Maerson e Selma tiveram dois filhos: eu, nascido em 1975, e minha irmã Gabriela, nascida em 1978. Separados meus pais em 1987, em 1989 meu pai juntou-se com Liege Guarçoni, natural de Mimoso do Sul, filha de Domingos Guarçoni, falecido em 1999 e que foi Prefeito em Mimoso na década de setenta. Meu pai e minha madrasta mudaram-se de Vitória para Mimoso em 1991, e se separaram em 2010; minha mãe vive em Vila Velha desde a mesma data.


COMPLEMENTOS E CORREÇOES MAIS TARDE
EDIT - complementos e correções
Um bispo missionário: dom Fernando de Sousa Monteiro, C.M.
Maria Stella de Novaes - 1951 - 266 páginas
"Do próprio punho de Dom Fernando, encontramos a descrição dessa Visita: — "Ao sairmos da mata, em São Felipe, "veio-nos ao encontro o Ilmo Sr. Satiro Ribeiro França, que "nos acompanhou até a sua residência que nos foi generosamente franqueada e onde grande número de nobres (...)"

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Futebol e História - III - Cachoeiro de Itapemirim

Após escrever o "Futebol e História - I" e o "Futebol e História II", vamos agora falar um pouquinho sobre aquela informação que passei à Lucimar Fernandes Machado em 2002. Embora tenha ele sido a única pessoa que me creditou como fonte, no site do Cachoeiro Futebol Clube, o dado que encaminhei foi muito sucinto, e basicamente é o que está no seguinte texto abaixo:

"A primeira partida realizada entre ambos os clubes [Cachoeiro e Estrela] ocorreu no mês de abril de 1916 e o resultado foi 0 a 0".

Naquela época, tantos dados de pesquisas históricas por mim feitas tinham sido utilizados sem citar a fonte, que eu pensava sempre duas vezes antes de compartilhar algo que eu tinha "garimpado". Enviei então apenas o mês e ano, e o resultado, da primeira partida de futebol disputada entre o Cachoeiro FC e o Estrela do Norte FC.

Hoje, folheando um dos meus "caderninhos", achei a data específica da partida:
Domingo, dia 02 de abril de 1916;
Empate de 0 x 0, o primeiro jogo entre os dois clubes.

Ao lado segue uma anotação minha:
"Uma semana depois: novo 0 x 0 - anotar elencos outro dia".


Como pesquisei todos os jornais do Estado disponíveis no Arquivo Público referentes ao ano de 1916, por causa da "guerra civil capixaba" do mesmo ano (chamada hoje de "Revolta do Xandoca"), é bem provável que eu tenha a anotação dos nomes dos jogadores que disputaram essa partida em algum lugar, embora só possa eu afirmar após "re-garimpar" meus bagunçados arquivos. De todo modo, caso eu não tenha anotado, com a data fica muito mais fácil encontrar os dados.

Também é importante registrar uns dados curiosos, referentes ao nascente futebol cachoeirense. Cachoeiro FC e Estrela do Norte FC foram fundados, ambos, em janeiro de 1916. Mas, em 1915 e em 1916, antes da fundação dos clubes supra aludidos, já tínhamos partidas de futebol envolvendo clubes na cidade. Abaixo ficam registradas duas delas, disputadas entre Cachoeiro Sport Club e Paineiras Football Club, embora eu não possua o resultado das mesmas:
19/12/1915 e 02/01/1916

Esse Cachoeiro SC já não existia mais no início dos anos vinte, e é bem provável que, com a fundação do Cachoeiro FC e do Estrela do Norte FC em 1916, não tenha ele passado desse último ano, embora ainda me faltem subsídios para assim afirmar. Quanto ao Paineiras FC, parece ter mantido atividade somente até 1919. Fato é que em abril de 1924, quando foi fundado o Norte Cachoeirense Football Club, haviam em atividade na cidade de Cachoeiro de Itapemirim somente mais outros três clubes: o Sport Club Brasileiro, o Cachoeiro Football Club e o Estrela do Norte Football Club.

Gerson Moraes França

Futebol e História - II

Por que escrevi o post anterior?

Bom, quando se juntam a paixão por história e a paixão por futebol, obviamente que nasce aí algo como uma paixão pela "história do futebol". Como minhas pesquisas mais aprofundadas no campo da história capixaba só começaram a partir de 1997, exatamente na época que minha "loucura insana" por futebol estava em crescente declínio, acabei tendo um período que vai mais ou menos de 1997 a 2001 onde eu pesquisei muito a história do futebol no nosso Estado. Dias atrás, lendo um de meus "caderninhos de pesquisa", deparei-me com várias anotações que fiz sobre futebol espírito-santense.

Essa também foi a época que comecei a tomar contato com a Internet; primeiro na Universidade, a partir de 1998, e depois na Prefeitura de Vitória, onde trabalhei de 2000 a 2005. Só tive computador com internet em casa no ano de 2001, usando aquelas conexões discadas, depois da meia-noite, porque cobravam apenas um pulso; que alegria era escutar aquele barulhinho de quando se estabelecia a conexão!

Pois saibam vocês que fui um dos primeiros capixabas (olha, talvez até o primeiro) a fazer um site com dados sobre nosso futebol, elencando todos os campeonatos, campeões, participantes, etc, e disponibilizando essas informações na rede mundial. Isso foi no ano de 2000; meu site recebia e-mails todos os dias, com perguntas e/ou elogios. Minha intenção era apenas a de colocar os dados lá, disponíveis para todos que quisessem. O site tinha o nome de "Futebol Capixaba", e ficava hospedado no antigo Geocities.com. Lembro que na época tive que cadastrar o site no portal de buscas "Cadê", que era o que todos por aqui usavam naqueles tempos. Uns poucos meses depois, "meus dados" já estavam sendo usados em vááááários sites que tratavam do futebol capixaba. Inclusive em alguns "profissionais"; deixei de atualizá-lo, então, até que ele "sumiu no ar" quando o Geocities fez sua primeira "limpeza".

Até hoje o meu nome está, inclusive, elencado dentre os que colaboraram com dados para o site do Cachoeiro Futebol Clube. Salvo engano, foi em 2002 quando forneci algumas poucas informações à Lucimar Fernandes Machado, um dos que eram os responsáveis pelo soerguimento do clube cachoeirense. Foi o único que me prestou reconhecimento, nominalmente, e por isso fiquei muito orgulhoso e honrado - nesse mundo WWW, muitos copiam e poucos dão os créditos à quem confeccionou. Alguns chegaram até a me perguntar, via e-mail: "o que você é? jornalista? dirigente?"; quando eu respondia "estudante universitário", davam-se por satisfeitos e copiavam as infos sem dar o menor crédito... apesar de eu não ligar à ponto de querer processar alguém por plágio, isso certamente me desestimulou, na época, a continuar desenvolvendo e atualizando o site. Afinal, gradativamente chegavam os "profissionais" na rede, enriquecendo a Web de informações mais atualizadas e com sites mais dinâmicos.

Futebol e História - I

Durante muito tempo fui um aficcionado por futebol; não, aficcionado não: fanático (no sentido mais louco que possa existir) por futebol. Eu torcia loucamente pelo Flamengo, pela Desportiva, pelo Mimosense. Não era simples paixão; era loucura mesmo. Eu acompanhava todos os campeonatos, desde o estadual acreano ao nacional ucraniano. Sabia de "cor" as escalações de todos os principais clubes brasileiros e estrangeiros. Eu mantinha um arquivo sobre o campeonato capixaba, e conhecia cada clube do nosso Estado. Fazia estatísticas, e inclusive conseguia eu acertar, aproximadamente, o público pagante das partidas antes mesmo dos jogos acontecerem. Meu sonho era ser jornalista esportivo, e cheguei à começar o curso de Comunicação Social na UFES (fiz apenas um ano de curso, abandonando-o para ingressar no curso de Direito, também na UFES).

Naqueles tempos que durou minha loucura, entre os anos de 1989 e 1999, aproximadamente, eu adquiria tudo que era publicado sobre futebol; ainda tenho toda a coleção da revista PLACAR no período, e comprava quase sempre o Jornal dos Sports (aquele rosinha). Acompanhava as transmissões de partidas pelas rádios, em ondas curtas! Assim, eu podia acompanhar os campeonatos argentino, português, espanhol, mineiro, gaúcho, pernambucano, paulista, etc. Escutava as transmissões em português em ondas curtas de rádios da França, Inglaterra, Alemanha e, pasmem, até da Rússia!

Sim, sem falsa modéstia, eu era um verdadeiro prodígio no "estudo do futebol"; porque, em campo, sempre fui meio "perna-de-pau", acertando o pé na zaga após muito esforço para ao menos jogar "medianamente", após uma experiência como goleiro. Fui um bom goleiro, porém: titular do time do meu prédio durante um ano e, por incrível que pareça, fui reserva do goleiro Pierre no time do Salesiano de futebol de salão, durante dois meses; até que tomei um bolaço na cara que quebrou meus óculos no meio (sim, eu agarrava de óculos, amarrados com um cadarço em torno da cabeça). Abandonei a "carreira" de goleiro definitivamente após uma derrota de 9 x 0 que o time do Serrat/Real (meu prédio) sofreu para o "Castelamare", começando então a "carreira" de "zagueiro-que-mete-medo-porque-pode-te-quebrar-sem-querer".

Meu pai, Maerson David França, fui um grande jogador de futebol em sua infância e adolescência. Jogou no Fluminensinho e no Álvares, ambos no futebol de salão. Meu irmão emprestado, Daniel Guarçoni Martins, também era um craque no futebol, sendo sempre o primeiro a ser escolhido quando começávamos a divisão dos escretes. Talvez por isso que eu acabei me aficcionando tanto pelo "estudo do futebol"; para impressionar meu pai, mesmo que inconscientemente, acabei me tornando um "expert" em "futebol-teoria". E o fato é que acabei me apaixonamendo pelo futebol.

Minha loucura por acompanhar insanamente o esporte foi diminuindo após 1996, quando comecei a namorar Larissa Cysne, que se tornaria minha esposa. Nos primeiros anos de namoro, ela sabia que domingos eram "dia de futebol", e que nem adiantava marcar nada; com o tempo, porém, fui acalmando a minha "doideira futebolística", e passei à acompanhar os campeonatos e clubes como uma pessoa "normal". Hoje, se me perguntarem qual é a escalação completa do meu clube do coração, o Flamengo, não saberei responder, embora eu acompanhe os jogos.

Tenho que manter certa distância, pois dizem que os ex-drogados que se curaram não podem nem chegar perto da droga, para não ter uma recaída. =)

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Folclore Político - Mimoso do Sul

O jornalista e político Sebastião Nery escreveu, a partir de 1973, vários volumes do livro intitulado "Folclore Político"; o último dos volumes (os quatro primeiros são datados de 1973, 1976, 1978 e 1982) , "Folclore Político - 1950 histórias", foi publicado em 2002. Na mesma linha, Cláudio Humberto Rosa e Silva, que inclusive afirma que coube à Nery a criação da expressão folclore político, escreveu o livro "Poder sem pudor: histórias de folclore, talento e veneno na política brasileira", publicado em 2001.

No quarto volume do livro de Nery, publicado em 1982, há relato de um episódio acontecido em uma sessão da Câmara Municipal de Mimoso do Sul. Esse acontecimento também está no livro de Nery publicado em 2002, além de também estar contemplado do livro de Rosa e Silva, de 2001.

Assim está narrado por Nery:
Na Câmara Municipal de Mimoso do Sul, Luiz Carlos da Silva, líder do PMDB, discutia com Jayme da Rocha Nogueira, líder do PDS, por causa do Prefeito Pedro Costa, também do PDS. Luiz Carlos atacava o líder do prefeito:
- V. Exa. é um teleguiado, sem personalidade. Só cumpre ordens.
- Sou líder. E o líder tem de dizer o que o Executivo pensa.
- Critico o comportamento de V. Exa., por ser um homem de recados, o robô do prefeito.
- Senhor vereador, até agora discutia com V. Exa. porque não me sentia agredido. Agora, V. Exa. vai ter de provar a esta Casa quando é que eu roubei do prefeito.
A sessão acabou.
Rosa e Silva narrou como se segue:
O vereador "roba"
- Você é um teleguiado, um pau-mandado!... - acusou o vereador Luiz Carlos da Silva (PMDB), num bate-boca com o líder do prefeito de Mimoso do Sul (ES) na Câmara Municipal, Jayme Nogueira (PDS).
- Líder tem que dizer o que o Executivo pensa - defendeu-se Nogueira.
- ... um robô do prefeito - insistiu o adversário.
- O quêêêê?! - queimou-se o líder - agora você me ofendeu e vai ter que provar o que eu roubei do prefeito!
Encontramos na web algumas variações dessa história, todas na mesma vertente, como a que se segue:
O Vereador "Robô"
Os vereadores Luiz Carlos da Silva e Jayme Nogueira batiam boca, na Câmara Municipal de Mimoso do Sul (ES). Oposicionista, Silva acusava Nogueira, líder da bancada do governo, de ser apenas “um homem de recados” do prefeito. A discussão transcorria civilizadamente até quando Luís Carlos o chamou de “robô do prefeito”. Jaime se queimou:
– Até este momento eu não me sentia ofendido, mas agora V. Exa. vai ter que provar quando é que eu roubei o prefeito!

BIOGRAFIAS

Jayme da Rocha Nogueira foi Vereador em Mimoso do Sul em seis legislaturas. Foi eleito em 1958, 1966, 1970, 1972, 1976 e 1982. Foi o mais votado nas eleições de 1970, e era o edil mais idoso nas legislaturas de 77/82 e 83/88; faleceu no exercício do mandato durante essa última legislatura, em 1986. De espírito combativo, protagonizou várias discussões políticas de grande importância e expressão. Após seu falecimento, foi homenageado pela Câmara Municipal, que deu o seu nome ao Plenário da Casa, Plenário este que foi palco para o exercício de suas palavras.

Luiz Carlos da Silva foi eleito Vereador em Mimoso do Sul em 1976 e 1982. Foi o edil mais votado nas eleições de 1982. Também de espírito combativo, foi umas das vozes mais ativas no Plenário da Câmara. Por sua posição firme, foi perseguido, e quase teve o mandato cassado em 1979, quando exercia ativamente a liderança da oposição. Foi Secretário municipal entre 1993 e 1996. Atuando sempre na luta pela defesa dos interesses dos proprietários, lavradores ou criadores, atualmente é o Presidente do Sindicato Rural de Mimoso do Sul.

A rivalidade entre ambos foi mais do que folclórica; foi histórica. Fruto das posições que ocupavam: um era o líder da ARENA, depois PDS, e o outro era o líder do MDB, depois PMDB.

Continua mais tarde, em EDIT.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

13 de Maio - Extinção da Escravidão



Paço Imperial no dia da sanção da Lei Áurea







No dia 13 de maio de 1888 foi sancionada a Lei n.º 3.353, após poucos dias de discussão e votação do projeto, tanto na Câmara quanto no Senado. Protocolizado na Câmara no dia 08 de maio, foi votado nesta casa em dois turnos, nos dias 09 e 10 de maio; a primeira votação foi pela aprovação (83 sim, 9 não), e a segunda foi unânime, por aclamação. No dia 11 de maio o Senado recebeu o projeto que vinha da Câmara, discutindo e votando-o em dois turnos, sem emendas, nos dias 12 e 13 de maio - houve apenas 1 voto contrário. Neste mesmo dia o projeto aprovado foi enviado para sanção imperial, e sancionado pela Princesa Imperial Regente, Dona Isabel. A Lei foi publicada no Diário Oficial de 14 de maio de 1888, e ficou conhecida como "Lei Áurea".

O texto era bem lacônico e direto, sem prever regulamentos ou indenizações para a sua execução:
A Princesa Imperial Regente, em nome de Sua Majestade o Imperador, o Senhor D. Pedro II, faz saber a todos os súditos do Império que a Assembleia Geral decretou e ela sancionou a lei seguinte:
Art. 1.º: É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil.
Art. 2.º: Revogam-se as disposições em contrário.
Manda, portanto, a todas as autoridades, (...)
Na época de sua publicação, ainda havia no Brasil cerca de 700 mil escravos, e seu número caía ano após ano. Desde 1850 a importação de escravos havia sido proibida, e desde 1871 os filhos de escravos nascidos após esta data eram livres; neste último ano, havia 1 milhão e 600 mil escravos no país.

Nas terras do atual Município de Mimoso do Sul, então São Pedro do Itabapoana, não haviam mais escravos quando a Lei Áurea foi sancionada e publicada. O texto que trata da matéria pode ser lido neste LINK.

Gerson Moraes França

domingo, 9 de maio de 2010

Cinco meses de BLOG

No dia 17 de novembro do ano passado "inauguramos" o presente BLOG. A partir do dia 09 de dezembro, começamos a fazer a contagem dos acessos e das páginas visitadas. Desde então, e até agora, nosso BLOG recebeu a visita de 1.745 pessoas diferentes, que visualizaram 4.820 páginas. A média de tempo que cada visitante ficou no BLOG foi de 9:40 minutos.