Importante, também, lembrar que o dia 23 de maio remete à oitava de pentecostes, e não ao dia de pentecostes propriamente dito, como vemos em muitas publicações pela internet afora. O domingo de páscoa, em 1535, caiu no dia 28 de março, ainda sob o calendário juliano (o que, no calendário gregoriano, corresponderia ao dia 07 de abril). O dia de pentecostes é celebrado 49 dias depois da páscoa, ou 50 dias usando da contagem inclusiva; o que daria, considerando o calendário juliano, no dia 16 de maio (dia 26 de maio, no gregoriano). O último dia da oitava de pentecostes é então, justamente, o dia 23 de maio de 1535 - data escolhida para lembrar o início da conquista e ocupação europeia do atual Espírito Santo.
terça-feira, 26 de maio de 2026
23 de maio de 1535 - Colonização do solo espírito-santense
Os historiadores que se debruçam sobre a data convencionada para memorar a oficialmente chamada "colonização do solo espírito-santense" conhecem o fato de que essa data é, como dito, uma convenção. Não há documento que assevere as datas precisas da chegada dos europeus para se estabelecerem na atual baía de Vitória, nem para a fundação das vilas do Espírito Santo (atual Vila Velha) e Vitória. As datas hoje estabelecidas foram definidas por presunção; fundamentada, sim, mas ainda assim é hipótese. O que, de forma alguma, invalidada a efeméride: na impossibilidade de se estabelecer um marco com precisão cirúrgica, criemo-lo. Não há, absolutamente, nada de errado com isso. É importante estabelecermos datas para memorar feitos históricos: tanto para lembrar e comemorar, quando para refletir e problematizar.
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